EDITORIAL – 80% dos materiais encontrados nos mares tem origem terrestre

Por Carlos RV Silva Filho* [Editorial publicado na Edição 10 da Revista ARes]

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Os mares e oceanos do planeta recebem anualmente 25 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Desse total pelo menos 2 milhões de toneladas por ano vem do Brasil. O volume, que é suficiente para encher trinta estádios do Maracanã até o topo, pode ser ainda maior, uma vez que os cálculos efetuados não levaram em consideração os resíduos que são jogados em lixões que, em muitos casos, vão parar nos corpos d’água.

A partir desses dados, que constam de um relatório internacional lançado durante o Fórum Mundial da Água pela ABRELPE, em parceria com a ISWA, é possível concluir que a gestão inadequada e ineficiente de resíduos nas cidades é um dos principais causadores da poluição marinha, pois 80% dos materiais encontrados nos mares tem origem terrestre.

Isso demonstra o quão indispensável é investir na adequação e universalização dos serviços de limpeza urbana, garantindo-se os recursos necessários para custeio de todas as atividades e assegurando-se a eficiência constante.

O país gasta anualmente cerca de R$5,5 bilhões para tratar dos problemas de saúde e da degradação ambiental urbana causada pela má gestão de resíduos. Se a isso forem incluídas as ações realizadas para despoluição marinha – que são apenas paliativas – aquele custo será bem mais alto e consideravelmente superior ao montante necessário para resolver o problema.

Faz-se necessário e urgente que os municípios implementem ações concretas para combater a fontes de poluição em terra, e para isso eles precisam encerrar os lixões, universalizar as coletas (regular e seletiva), combater os pontos de descarte viciados, além de conscientizar e fiscalizar a população quanto a lançar lixo nas vias públicas.

Isso porque se milhões de brasileiros continuarem a jogar resíduos em locais inadequados, como terrenos baldios, calçadas, rios e córregos, será impossível reverter a poluição marinha, pois mares e oceano continuarão sendo o destino diário de tais resíduos.

Como se vê, os serviços de limpeza urbana desempenham papel fundamental para garantia da saúde pública e de um meio ambiente equilibrado, incluindo a proteção dos recursos hídricos, e tornando possível o cumprimento de diversas metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), constantes da agenda da ONU para 2030.

*Carlos RV Silva Filho é Diretor-presidente da Abrelpe e Diretor Vice-Presidente da ISWA