Artigo: o consumismo e a geração de resíduos sólidos

Estamos diante do esgotamento acelerado dos recursos naturais – a cada ano a sobrecarga da Terra ocorre mais cedo. A sobrecarga da Terra é um cálculo feito para monitorar a Pegada Ecológica das cidades do mundo inteiro, e mostra que a cada ano o consumo dos recursos naturais pelo ser humano ultrapassa o tempo de regeneração da natureza. Desde o ano de 2.000, a data tem surgido cada vez mais cedo: de 1º de outubro em 2000 a 13 de agosto em 2015.

A Pegada Ecológica do Brasil é de 2,9 hectares globais por habitante, indicando que o consumo médio de recursos ecológicos do cidadão brasileiro é bem próximo da média mundial (2,7 hectares globais por habitante). Isso significa que se todas as pessoas do planeta consumissem como o brasileiro, seria necessário 1,6 planeta para sustentar esse estilo de vida. A média mundial é de 1,5 planeta. Ou seja, estamos consumindo 50% além da capacidade anual do planeta.

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Para evitar um colapso dos recursos naturais que são a nossa fonte de sobrevivência, precisamos avaliar e repensar nossos hábitos de consumo. E adotar uma postura mais responsável, de forma que possamos viver de acordo com a capacidade ecológica do Planeta.

Consumindo da forma como estamos, a geração de resíduos se torna um grande problema, pois ainda estamos em passos lentos para o adequado tratamento dos resíduos, utilizando sua possível potencialidade para gerar outros benefícios sociais e ambientais.

A geração de resíduos sólidos está diretamente ligada aos padrões culturais, renda e hábitos de consumo da sociedade, sendo este último uma das principais causas da grande quantidade de resíduos, resultado de uma sociedade que transforma supérfluos em necessidades por meio de um consumo desmedido. Muitos representantes das indústrias e do comércio não se preocupam com o problema, como a utilização de embalagens inadequadas, desperdiçando material e provocando consequente degradação ambiental.

Um cenário crítico se apresenta atualmente. Conforme se desenvolve economicamente uma sociedade, aumentando o seu padrão de vida e consequentemente de consumo, mais prejudicado fica o meio no qual está inserida esta sociedade em virtude da elevada geração de resíduos.

Para alcançar uma solução, é necessário que as ações se iniciem com a prevenção. A redução na fonte e a minimização de resíduos, com o reuso e a reciclagem de materiais, compõem este sistema de prevenção que pode ser adotado tanto pelas indústrias e comércios como pelo cidadão em geral dentro do sistema urbano. As indústrias e os comércios podem alterar seus materiais, processos, tecnologias e práticas operacionais. Já o cidadão pode fazer valer o seu papel de consumidor consciente e mudar padrões e hábitos de consumo.

Em conjunto a estas ações deve estar uma gestão integrada dos resíduos, incentivada e organizada por órgãos competentes e responsáveis a fim de valorizar a não geração, a minimização e a disposição final adequada.

Outra ação importante é a de adotar a educação ambiental como política para sensibilizar e conscientizar a sociedade para agir de maneira mais reflexiva com relação aos resíduos sólidos e consequentemente aos padrões ideais de consumo a serem adotados.

Todos estes pontos são abordados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n°12.305/2010), mas como observado, estamos ainda a passo lentos para alcançarmos um sistema adequado para esse tema. É preciso a colaboração de todos, governo, indústria, comércio e cidadãos em geral, principalmente na redução da geração de resíduos, pois não adianta apenas o tratamento dos resíduos, uma vez que o consumismo está aumentando cada vez mais. Nós cidadãos não precisamos esperar o governo, devemos mudar nossa forma de atuar positivamente para esta questão. E a empresa deve estar atenta a esse novo consumidor que está cada vez mais questionando as formas de produção e adotando cada vez mais o Consumo Sustentável.

Artigo gentilmente cedido pela empresa parceira Biotera (via blog) Imagem Pixabay

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