Vallinas: natureza X ser humano

Os trabalhos recentes do fotógrafo espanhol Miguel Vallinas Prieto chamaram a atenção da mídia por diferentes motivos. Para nós, da ARes, além de uma apurada técnica, um belo jogo de luzes e os tons instigantes do surrealismo, algumas das coleções de Miguel nos levam à reflexão sobre como estamos lidando com o meio ambiente e como enxergamos a nós mesmos inseridos em contextos maiores, como o político-social. “É prioridade preservar o meio ambiente, e isso passa pelo respeito a este, especialmente em relação à educação e ao exemplo que damos aos mais jovens. Eu me vejo obrigado a ser otimista para tolerar emocionalmente o que estamos fazendo ao nosso planeta, e assim acreditar em gerações presentes e futuras para que isso seja revertido”, aponta o artista. [Revista ARes, Edição #5 (Maio 2016)]

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ARes: Por que a natureza é tão presente em sua arte?

VALLINAS: A natureza é um lugar ideal para liberar espaço de criatividade. A natureza é a própria arte e inspira a arte. No meu trabalho há sempre três constantes: a natureza, o animal e o homem. E, em muitos casos, os três estão representados. Na paisagem encontro evasão, calma e prazer. Sair para passear com minha câmera em dias frios de inverno está no topo de minhas predileções: puro desfrute. Sem dúvida, a maior criação artística reside na natureza, eu simplesmente saio para observá-la e a copio com minha câmera.

ARes: No Brasil, tem ganhado relevância o debate da gestão dos resíduos e dos impactos ambientais e sociais. Como você vê essa questão na Espanha?

VALLINAS: Todos esses problemas são globais. O debate também existe na Espanha e tem que começar a partir do degrau mais baixo, dentro da casa das pessoas. No ponto em que estamos, acredito que seja muito importante tratar a questão de forma holística, de modo a encontrar soluções as mais tangíveis possíveis a curto prazo. É essencial que ocorram encontros como a última conferência sobre mudança climática em Paris [COP 21], e que os acordos sejam realmente cumpridos, dando frutos. Espero que as contribuições da Coerência das Políticas para o Desenvolvimento (CPD) da União Europeia inspire novos acordos globais sobre as alterações climáticas. Desejo que esses acordos sejam cumpridos. Soluções rápidas e eficazes são essenciais para reverter os principais problemas.

ARes: Qual foi a sensação quando você viu seu primeiro trabalho pronto da série Segundas pieles?

VALLINAS: Em todas as coleções há um processo de encontrar o método, esse primeiro passo para capturar a imagem que você tem em sua cabeça, realizá-la e confirmar se corresponde à idealização daquilo que estava em sua mente. Para isso, usei o animal mais próximo, que estava à mão: meu cão Leo. O resultado foi fantástico. Tanto que ela se confirmou como parte definitiva da coleção, o Retrato No. 1. Ainda hoje continua sendo a mais especial da coleção para mim. Alguns se identificam com os bichos pelo aspecto físico, outros pela personalidade do animal. Eu me identifico com o retrato do cão, mas não por esses motivos, e sim pela proximidade, pelo afeto.

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Sobre a série Segundas pieles

Mostra humanos com rosto de animais, exibindo possíveis personalidades que estão ou não disponíveis para nós, que vêm impostas ou adotadas de acordo com as circunstâncias. As imagens desta série tentam isolar o personagem, ignorar o seu contexto e suas referências, com base unicamente no ser individual. Pretende investigar aspectos internos do ser humano, tentar entender a realidade íntima de uma pessoa. O objetivo da coleção é retratar o animal que todos temos dentro de nós.

Sobre a série Raíz

As fotografias mostram corpos com cabeças feitas de ervas e ramos de flores em diferentes épocas do ano e das fases de floração. Enquanto o corpo representa o tronco e a cabeça a flor, a raiz é algo que não é mostrado, é o que nos liga à terra, o lugar de onde começamos e aonde nós chegamos, o início e o fim da vida. A raiz é a base da nossa existência, que inevitavelmente determina a direção do nosso caminho. O termo Raíz indica união, suporte, base. Esta coleção está ligada à busca de identidade, ao contexto do ser humano, seja social, cultural, econômico ou familiar.

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Leia a entrevista completa. Adquira seu exemplar ou baixe o PDF completo da Revista ARes Edição #5 aqui.

Saiba mais sobre o artista Miguel Vallinas.